Ventosa Sensacional

A primeira vista, a ventosa de um polvo se assemelha a de uma flecha de brinquedo ou a que fixa um GPS no para brisa. Na verdade, porém, é um órgão notavelmente sofisticado, que pode não só prender objetos com diferentes intensidades, mas também manejá-los graças a grupos de músculos especializados.
A ventosa tem duas câmaras: o infundíbulo externo e o acetábulo interno. Quando ele adere a algo os músculos do infundíbulo modificam sua borda para moldá-la a superfície da concha, formando um lacre. Os músculos do acetábulo então se contraem, produzindo intensa pressão negativa no interior cheio de água da ventosa. O diferencial entre a pressão interna e a externa gera sucção.

Quanto mais intensa a contração dos músculos do acetábulo, maior a pressão negativa e maior o poder de aderência. Os chamados músculos extrínsecos permitem que a borda da ventosa gire o objeto num círculo completo, em ângulo raso ou agudo em relação ao braço, sem romper o lacre ou reduzir o diferencial da pressão.
Além de sua complexa musculatura, a ventosa do polvo tem elaborada rede neural. Os neurônios especializados concentrados na borda, chamados quimiorreceptores, permitem avaliar o gosto das superfícies tocadas. Juntamente com os mecanorreceptores, que transmitem informações sobre tato e pressão, e os proprioceptores (que informam sobre a atividade muscular), esses quimiorreceptores conectam-se a aglomerados de neurônios chamados gânglios, que, por receberem informações sensoriais e organizarem respostas coerentes, parecem funcionar como um "minicérebro" próprio da ventosa.
Como os gânglios conectam-se uns aos outros por meio de uma rede de gânglios maiores as ventosas vizinhas podem coordenar seus movimentos sem depender de continuas instruções do cérebro real. Ainda se desconhece como as funções neurais são partilhadas entre o cérebro, os braços e os gânglios das ventosas.


Fonte:             Scientific American Brasil
Edição de Novembro de 2010
Páginas: 66-67.

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